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A MÚSICA COMO EXPRESSÃO SIMBÓLICA (Parte 4)
A música é uma forma artística que, quando utilizada com função terapêutica, pode atingir níveis profundos do inconsciente.
Consideramos o som e o silêncio como sua matéria básica. Da articulação entre ambos, surgem infinitas possibilidades musicais e é exatamente essa multiplicidade sonora que vai ajudar o indivíduo a se conectar com seus conteúdos mais profundos. No artigo anterior consideramos o som e seus parâmetros. No presente, falaremos sobre o silêncio e alguns aspectos de nossa vida interior que podem ser suscitados quando nos recolhemos dos sons exteriores. Para isto, convido você a vivenciar a seguinte experiência:
Procure uma posição em que se sinta confortável e comece a perceber os sons que existem dentro de você. Ouça o seu coração... a sua respiração... os movimentos peristálticos... São os sons que reproduzem a vida, a sua vida. Que sensação eles lhe trazem? São agradáveis? Remetem a alguma lembrança?
Escolha o som que for mais agradável a você e escute-o por alguns momentos, anotando posteriormente, suas impressões, seus sentimentos. Procure também, trabalhar plasticamente os sons com que você se identificou. Faça o mesmo com os sons que não forma tão agradáveis.
Esta é uma proposta simples, mas bastante reveladora. Partindo do pressuposto de que nosso corpo carrega uma memória musical, os sons que ouvimos em nosso organismo, são sons impregnados de energia simbólica. Aqueles que nos agradam, tranqüilizam, remetem-nos a situações de prazer. Por outro lado, aqueles que causam repugnância, desarmonia, estão ligados ao medo e ao desprazer. Entretanto, considerando a complementaridade dos sentimentos, podemos afirmar que a constatação e aceitação desses sons como vieram à memória, é um grande passo para a harmonia do ser.
Assim como uma belíssima sinfonia é feita de sons e de silêncios nos seus variados movimentos, a vida é feita dos inúmeros sons que nossa alma produz. Em alguns momentos, esse som é doce e delicado, como num prelúdio. Em outros, agitado, presto. Em algumas vezes, é lento, pesado. Em outras, fugaz. Às vezes, essa sinfonia se apresenta afinada.. Em outras, completamente desafinada e distorcida. Contudo, são todos esses sons que compõe a vida e nos conduzem no caminho do self.
É assim que a vida prossegue. Com todos os sons, com o meu som, com o seu som, com o som dele, com o som dela.
O SOM DA PESSOA
(Gilberto Gil)
A primeira pessoa soa como eu sou!
A segunda pessoa soa como tu és!
A terceira pessoa soa como ele,
Ela também!
Toda pessoa soa
Toda pessoa boa
Toda pessoa boa soa bem...
Márcia Victório.