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DANÇAS CIRCULARES SAGRADAS
Histórico
Em 1976, o coreógrafo alemão Bernhard Wosien visitou a Comunidade de Findhorn no norte da Escócia e, a pedido de Peter Caddy, um de seus fundadores, ensinou pela primeira vez uma coletânea de Danças Folclóricas para os residentes. Bernhard Wosien já havia passado dos 60 anos e, há algum tempo, andava procurando uma prática corporal mais orgânica para expressar seus sentimentos. Freqüentando grupos de Danças Folclóricas, percebeu que ali estava o que procurava. Vivenciou a alegria, a amizade e o amor, tanto para consigo mesmo como para com os outros, e sentiu que a Dança em roda possibilita uma comunicação sem palavras e mais amorosa entre as pessoas.
A Comunidade de Findhorn existia há 15 anos quando Wosien ensinou as Danças pela primeira vez. De 1976 para os dias de hoje, centenas de Danças foram incorporadas ao conjunto do que passou a se chamar "Danças Circulares Sagradas", ou somente, "Danças Sagradas". De Findhorn, esse trabalho espalhou-se pelo mundo todo.
Esse movimento intitulado "Danças Circulares Sagradas" resgatou as "Danças Circulares dos Povos", título este preferido por muitos que sentem uma certa restrição à palavra "Sagrada"...
Como chegou ao Brasil?
Existe em São Paulo o Centro de Vivências Nazaré, na região de Nazaré Paulista, cuja fundadora, Sarah Marriot, morou em Findhorn durante alguns anos. Convidada para vir ao Brasil iniciar um trabalho de educação holística nos moldes da comunidade escocesa, Sarah orientou esse Centro de Vivências durante 12 anos, tornado-o um local propício para receber os amigos de Findhorn. Desta maneira, alguns deles trouxeram as Danças Circulares Sagradas para o Brasil, deixando em Nazaré fitas K7 e algumas pessoas aptas a repetí-las em grupo.
Em 1994 a TRIOM Livraria e Editora começou a oferecer cursos sobre as Danças ao mesmo tempo que, estreitando sua ligação com a Comunidade da Escócia, passou a comercializar o material existente (tapes e livretos explicativos).
Um ano depois, na I Clínica de Jogos Cooperativos organizada pelo Fábio Otuzzi Brotto no CEPEUSP, as Danças Circulares Sagradas experimentaram uma expansão. Muitas pessoas da área da Educação perceberam que ali estava um trabalho com grande potencial para trazer o indivíduo de volta às suas origens mais ancestrais quando, em contato direto com a Natureza, celebrava os ritmos das estações, suas pequenas e grandes conquistas tais como semeadura e colheita do alimento e suas mais simples manifestações de alegria comunitária tais como nascimentos e uniões de casais.
Neste mesmo ano, 1995, Anna Barton, a focalizadora das Danças Circulares Sagradas em Findhorn, foi convidada pela TRIOM Centro de Estudos, Editora e Livraria para vir ao Brasil dar um workshop e um treinamento das Dança. Foi o grande momento em que as Danças realmente ancoraram no Brasil. Deste então, vários focalizadores estrangeiros das Danças Sagradas estiveram no Brasil convidados por inúmeros grupos que foram se formando em São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Bahia.
Em 1996, um grupo de paulistas e mineiros foram para a Escócia participar do 20º Aniversário das Danças Sagradas em Findhorn. Este evento foi marcante na história das Danças Circulares Sagradas, trouxe a certeza de que esse trabalho tem como responsabilidade a União dos Povos e a Comunhão das Pessoas. Nem todos os que trabalham com as Danças participaram desse Festival; mas os que lá estavam foram canais diretos de transmissão, imprimindo no coração de muitos ao redor do planeta, sentimentos de Amor e Harmonia.
Foram esses sentimentos que tiveram o poder de reunir um grupo de 12 pessoas vindas de diferentes áreas de formação e de atuação, fazendo-as debruçar sobre o papel ou sobre o computador para escrever um depoimento pessoal, contando suas experiências. Desse material nasceu o livro intitulado Danças Circulares Sagradas, uma Proposta de Educação e Cura, publicado pela editora TRIOM em abril de 1998.
Esse livro foi patrocinado pela Universidade AnhembiMorumbi que, acreditou e acredita, que o trabalho com as Danças Circulares Sagradas faz parte desse mais novo movimento da Educação intitulado Transdisciplinaridade. Foi o posicionamento acolhedor e inovador da Universidade que possibilitou a apresentação dessa pesquisa com as Danças, fruto de um movimento que já está em andamento em diversas áreas da comunidade, tais como escolas, empresas, clínicas médicas e espaços sociais.
Existe atualmente, uma real preocupação com a educação dos jovens, futuros trabalhadores, educadores e líderes de um mundo em transformação. Uma conscientização de corretos valores humanos é assunto prioritário discutido em simpósios mundiais promovidos pelas Nações Unidas. A Transdisciplinaridade começa a se impor como uma proposta que objetiva a necessidade de fornecer ao jovem em formação, possibilidades de estudos teóricos e vivenciais que transcendam os estudos compartimentados apresentados pelas universidades de hoje.
Como se dança?
No círculo das Danças Sagradas são usadas músicas étnicas, clássicas e new age. Dança-se de mãos dadas; cantando as raízes, o folclore, o regional e a oração dos diversos povos e culturas do planeta.
Os passos vão dos mais simples aos mais elaborados. Mas o enfoque na Dança Circular Sagrada não é a técnica, e sim o sentimento de união de grupo, o espírito comunitário que se instala a partir do momento que todos, de mãos dadas, apóiam e auxiliam os companheiros.
Suavemente, em meio a muita alegria e também a muitos momentos de introspecção, a pessoa que está na roda se percebe como um ser humano íntegro. Isto porque a Dança Circular auxilia o indivíduo a tomar consciência de seu corpo físico, acalmar seu emocional, trabalhar sua concentração e memória e, principalmente, entrar em contato com uma linguagem simbólica, metafórica e transcedental. Possibilita momentos de conexão com sua Essência, seu Ser Interior e, através desse contato, o indivíduo se percebe conectado à Força Maior do Universo.
O que é "focalizar"?
"Focalizar uma Dança Circular Sagrada vai um pouco além da simples orientação dos passos e do ritmo. Implica na postura do orientador que se coloca como foco de atenção dos participantes e, principalmente, como foco catalizador e expansionista de energias mais sutis no momento da vivência, facilitando o Sagrado." (citação de Renata C. L. Ramos - livro: Danças Circulares Sagradas, uma Proposta de Educação e Cura - ed. TRIOM)
Por que "SAGRADA"?
A palavra sagrada traz sempre alguma espécie de tensão... Parece que o sagrado está sempre comprometido com alguma religião.
Na realidade, a Dança Circular se torna Sagrada a partir do momento em que os participantes entram em contato com sua essência, em contato com a parte de seu ser que está intimamente conectada com algo transcendental. No momento desse contato temos a união de espírito e matéria e a possibilidade da criação. O ser humano portanto, se torna um ser íntegro quando se torna criativo. A partir daí ele tem a trindade dentro de si.
Nestes dias, o que está sendo pedido pela comunidade ao indivíduo atuante? Uma postura íntegra e criativa. O indivíduo que consegue se sobressair da maioria é aquele que cria e que, portanto, está em contato com sua essência divina.
É difícil falar em sagrado, divino, alma, espírito, etc? Sim, é difícil. A humanidade está no momento de resgatar essas palavras e conceitos numa oitava superior de sua evolução, deixando para trás antigos dogmas e preconceitos incutidos ao longo dos séculos. E esse trabalho de reciclagem de conceitos como divino e sagrado é feito nas Danças Circulares Sagradas de uma maneira alegre e suave, preparando o ser humano para uma nova etapa da humanidade onde harmonia e paz serão reflexos de atitudes de cooperação e comunhão.
Zillio, Tânia - Dança Circular. Danças, texto adaptado de www.triom.com.br, internet, disponível em http://www.netdata.com.br/~tania/dancas.htm.