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Georg Friedrich HAENDEL (1685 – 1759)
Personalidade poderosa, contemporâneo a Bach (nasceram no mesmo ano, a menos de cem quilômetros de distância na Saxônia alemã), ambos gênios da música barroca, o que leva naturalmente a uma certa “comparação” e até a tendência de torná-los rivais no seu tempo, o que de modo algum se confirma, pois enquanto Bach interiorizava sua música sobretudo para a Igreja Luterana, e jamais se afastou de sua terra de origem, Haendel estava mais a vontade na ópera que na igreja, e assim como Mozart, percorreu o mundo da música de então, levando consigo uma síntese de estilos alemão, italiano e inglês. E é na Inglaterra, que se fixaria e conheceria seu maior esplendor junto à Igreja Anglicana, de início, mais por necessidade, devido às dificuldades do seu empreendimento operístico; volta-se para o oratório bíblico, que apresentava a notável vantagem de ser a única forma de espetáculo autorizado moralmente.Não deixou de compor suas óperas, magníficas obras que apesar de parecerem “velhas”, apresentam uma riqueza polifônica impar, mas foi na simplicidade dos hinos para o culto anglicano, que Handel, como foi chamado na Inglaterra, iniciou um ciclo de obras concertantes, com imensa inserção da escrita coral, de forma clara, simples e diretamente dirigida ao grande público, que o idolatrou como um autêntico compositor inglês, influenciando diretamente nas carreiras de Mozart, Haydn e tendo um admirador do nível de Beethoven, que o considerava publicamente como o maior compositor de todos o s tempos.
Temos tendência a subestimá-lo, talvez pelo fato de sua obra estar presente desde sua criação até hoje, por exemplo, o oratório “O Messiah”, tocado ininterruptamente desde 1742 e cuja grandiosidade não exclui a graça e a ternura que despertam em quem o ouve. Nesta obra, Handel não usou da demasiada literatura italiana, nem das paixões exacerbadas alemãs, mas usar a vida de Cristo extraída dos evangelhos teria um resultado ofensivo, daí veio a solução de escrever um texto em formas gerais e alusivas, baseadas, sobretudo nas profecias do Antigo Testamento, daí a origem do título em hebreu e não na tradução grega de “Cristo”.
Wallace de Medeiros Cazelli