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Bedrich SMETANA (1824 - 1884)
Sempre que eu buscava um compositor expoente da Boêmia, região central da Europa, que viveu e vive um turbilhão de “donos” e um caldeirão de eventos históricos, que atualmente compõem a República Tcheca, vinha a figura de Dvorák, com suas belas e poderosas composições baseadas na musicalidade natural da região. Porém, ao conhecer um certo Sr Siegmund Wanke, que viria tornar-se meu “Opa”, poliglota, músico, refugiado de várias movimentações forçadas pelo destino da “geopolítica” européia da primeira metade do século XX, vim a conhecer Bedrich Smetana, a quem os tchecos consideram por unanimidade como o pai de sua escola nacional, e passei a admirar não só sua música, mas também sua personalidade forte, patriótica e infatigável. Menino prodígio, nascido num ambiente familiar humanista, conhece Mendelssohn, Hummel, Henzelt e principalmente Schumann, este sempre muito presente em Praga. Nacionalista fervoroso, como já citei, envolve-se nos acontecimentos revolucionários de 1848. Casa-se em 1849 com Catherine Kolarova. Cria a ópera nacional tcheca e em 1856, aconselhado por Liszt, muda-se para Gotemburg, na Suécia, aonde viria a dirigir a Harmoniska Sällskapet. Com uma criação intensa, em vários gêneros musicais, atinge sua maior genialidade no ciclo “Minha Pátria”, onde sem dúvida descreveu a Boêmia para a audiência internacional. Aos cinqüenta anos fica surdo e repente, tendo de abandonar sua vida profissional e mergulha numa reclusão que o acompanhará até sua morte, mas desta reclusão temos sua obra mais conhecida: “O Moldava”, onde descreve musicalmente toda a vida e todo o colorido do rio que atravessa sua tão querida Praga. Vale a pena ler mais sobre Smetana, com certeza você se apaixonará pela pessoa, sua vida e sua obra.
Wallace de Medeiros Cazelli