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Heitor VILLA-LOBOS (1887 – 1959)
Nascido no Rio de Janeiro, vivendo num intenso caldeirão de ritmos musicais e idéias revolucionárias, autodidata, iniciou o modernismo musical no Brasil. Fundindo de maneira exuberante o rico folclore brasileiro, a música negra florescente e livre e a influência portuguesa, e porque não dizer ibero-judáica, com uma intensa paixão por Bach, produziu, durante toda sua vida, mais de 1.500 obras, desde a música dramática das óperas e bailados, à música de câmara, passando magistralmente pela coral-sinfônica, orquestral, sacra, concertante, vocal, para piano, ou puramente para o violão seu grande desafio e companheiro.
Resolveu de maneira única um elemento peculiar brasileiro, que é a separação entre o popular e o erudito, tudo isso com seu temperamento forte e dinâmico. Amigo de Stravinsky, Varèse e Prokofiev, teve como primeira obra conhecida mundialmente A prole do bebê nº 1, executada por ninguém mais que Artur Rubinstein. Durante a chamada Era Vargas, de 1930 a 1945, o compositor Heitor Villa-Lobos esteve diretamente envolvido em projetos de educação musical da população brasileira, sempre sob os auspícios do governo Vargas. Apesar disso, a maioria das pesquisas acadêmicas sempre isentou o criador das Bachianas de ligação com a política e a ideologia do Estado Novo. Os hinos utilizados pela máquina do governo podem ser denominados "cantos orfeônicos", peças de estrutura musical simples, sempre apresentadas em coro. Villa-Lobos, portanto, colaborava diretamente com o processo de comunicação entre Estado e povo, difundindo a importância da ordem, da disciplina, da tolerância e da pré-disposição ao trabalho para a formação do bom cidadão. O que no contexto da época era o “politicamente correto”, e para nós aqui no futuro, uma documentação musical de inquestionável validade.
Após 1945, Villa-Lobos inicia sua fase final de produção, já acometido de sérios problemas de saúde, que o levaram à morte por câncer, o que não significa que sua criatividade musical diminuísse, pelo contrário, inicia uma nova etapa com concertos para violão, gaita de boca, e quartetos de cordas. Para concluir essa difícil tarefa de resumir um pouco da grandiosidade deste “brasileiro do mundo”.
Wallace de Medeiros Cazelli